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CONTO - Decidiram voltar ao mar

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Lá fora decidiram voltar ao mar. Decidiram ir comer qualquer coisa a um pequeno bar mesmo em cima do mar. Um pratinho de polvo com molho verde, depois veio uma travessa de amêijoas a bulhão pato e ainda um pratinho de búzios. Tudo acompanhado com um refrigerante e uma cerveja. Para rematar veio uma tigela de caldo verde e um café.      O tempo mantinha-se instável embora sem chuva. Fizeram uma caminhada por outras praias passando por locais desconhecidos até então. Pequenas praias com baias, rodeadas de grandes rochedos, davam a entender que seriam abrigadas em dias de vento. Filas de canaviais separavam, ao longo da costa, a zona balnear dos campos agrícolas. Foram passando por eles alguns peregrinos que acenavam coma mão ou com um sorriso em sinal de cumprimento.      Hoje e dia de levar o cão aos treinos de socialização. Sai do trabalho e vai em direcção a casa, passando pela loja para comprar pão fresco e fruta. Depois vai buscar o filho e o cão para os...

Fecha os teus olhos e diz o que vês

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Fecha os teus olhos e diz o que  vês   Partilha comigo os teus sonhos   Sobre às nuvens e fala da miragem   Campos, vales e restante paisagem   Fecha os teus olhos e diz o que vês   Desce à terra, naquela estrada   Que tantas vezes percorreste   A cavalo ou na carruagem   Os livros que leste e quem amaste     Faz silêncio e conta o que ouves   Fala dessa mensagem   Sentado à beira-rio na margem   Enquanto cantam os pássaros   Desliza a água num burburinho     Diz-me que nunca tiveste berbicacho   Que a tua vida correu sem surpresa   Que os cães nunca uivaram durante a noite   Que o teu coração nunca foi tomado de fogacho     Cala-te por um minuto   Ouve o sangue a correr nas veias   Liberta-te de todas as teias   Agradece por mais um dia     Se as abelhas trabalham para as colmeias   O sol nasce todos os dias   Ainda que não brilhe seguram...

Quando os amantes fazem amor

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Se os cães ladram desalmadamente    Contra qualquer corrente    Se os pobres gastam tudo    Se os ricos amealham    Quando os tolos acertam erradamente       Quando os amantes fazem amor    Suplicantes com clamor    Palco sem desterro    Longe da pátria sem voz        Uivam os cães debaixo da lua    Fazem amor os corpos    Debaixo da pele crua    Com longos beijos        Quando vivo na solidão    Me entrego aos pensamentos    Na longa mansidão    Debaixo de chuva ou ventos       Se os cães ladram desalmadamente    Algo não vai bem    Se alguém pede encarecidamente    Sorri chora ou se abstém        Gritos de glória    Uivos de desespero    Ideias sem memória    Alma no desterro        Desterr...