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Cães que ladram aprisionados às correntes

  Cães que ladram aprisionados às correntes   Vivem em estados dormentes   De noite uivam para a Lua   Pressentem a morte como sua     Se os ventos também uivam   Em sinal de desgraça   Como se alguém sofresse com dor   Sobrepondo a qualquer clamor     Mas o mais poderoso uivo   Aquele que serve para comunicar   Ao lobo pertence   Mas também do lobisomem poderá chegar     Cães que ladram aprisionados às correntes   Anunciam desgraças que não chegam   Olhos que brilham e mostram dentes   Talvez estejam a cantar a sua ópera   Que atemoriza os mais crentes     Provoca arrepio na espinha   Tremor dentro do peito   Sem querer o que adivinha   Ajoelha em sinal de respeito     04-04-2021   João Pires

Na casa solarenga a morte amolenga

Na casa solarenga a morte amolenga   Os nobres repousam nos quadros   O Sol bate nas vidraças   Vozes altas das amigalhaças     Piranhas rodovalhos e pescadas   Repousam descansadamente na bancada   Mulheres que cantam fados são apregoadas   Em tempos idos de vidas atrevidas     Com um pão de alho e uma cerveja   Enchi o bucho naquela tarde   Venha de lá quem quer que seja   Para fazer companhia suave     Naquelas terras abadengas   Por onde passa o compasso   Em formato de mudança   Nem eu sei o que faço     Num ato de resiliência   Leio um livro de pobre humor   Preciso de muita paciência   Para descobrir o seu sabor     Na teimosia da idiossincrasia   Olho do alto para as pessoas   Procuro encontrar alegria   Mas vejo tolos nuvens e Lagoas     Na senda da diligência   Vejo poeiras ao longo da estrada   Rodeada de vid...

Olha para a natureza

Olha para a natureza     Como se fosse um sopro de vida     Plena de nobreza    Sem saber quando chega a despedida        Pensa nos animais     Como se fossem teus irmãos     Pendurados nos varais    Sem qualquer  acção         Se as árvores     Forem o teu mundo     O oxigénio dos teus pulmões    Em terreno mais fecundo        Quando a floresta     For o mistério a desvendar    Não haverá besta    Que seja bela para amar        Olha para a natureza    Ouve a água do regato    Como se estivesses a tua mesa    O mundo no teu  prato   Vive  a vida com singeleza        Um dia de cada vez    Para apreciar a natureza    As nuvens os pássaros os rios    Tudo ...