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Rio estranho e maravilhoso

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Rio estranho e maravilhoso Que corres ao sul Cores exóticas no meio aquoso Com tons laranja e azul Azul do céu Reflectido nas águas calmas Colorido a pincel Por artista ou almas Rio Vermelho Das lendas das minas Formas um espelho Para nuvens alpinas Carreiros que sulcam As tuas coloridas águas De cores que cruzam Muitas léguas Rio maravilhoso e estranho Que histórias contas De vontade me contenho Para mergulhar nas tuas águas Não sei que mistérios encerras Mas não vejo em ti vida Será que para onde desaguas Levas a morte bandida?  06-03-2021 João Pires

Nas areias finas do deserto

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Nas areias finas do deserto   Esculpidas pela força do vento   Rajadas de ventos escultoras   Rasgam dunas debaixo do firmamento   Céu nebuloso com estrelas   Pintado de azul escuro   Pousa sobre as areias do deserto   Vazio de porto seguro     Ventos que alisam dunas   Penteiam como cabelos   Sulcam lacunas   Desenham com zelo     Naquele deserto   Pousam sonhos   De mar aberto   Para paisagens e desenhos     Brilharão as estrelas no firmamento   Sempre que encontrar o vazio   Nas paisagens desérticas   Onde fecho os olhos e sorrio     Numa onda de contemplação   No deserto do silêncio   Ouço o meu coração   Em sinais de bom prenuncio     As estrelas anunciam   O espaço infinito   Pousado sobre finas areias   Distante do erudito     Fina camada alaranjada   Que se movimenta todos os dias   Pela  acção ...

Ondas Vagabundas

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Ondas Vagabundas Corpos que se misturam Respiração entrecortada Beijos de pele Lança uma cartada Movimentos suaves Como o baloiço das ondas Em peles ardentes Ondas vagabundas Luxúria para surpreender Desejo para saciar Vontade de te aprender Lábios frementes para alisar Vestidos de néctar Perfumes insolentes Para te deleitar Saltar tabus existentes Corpos que se entregam Sem fronteiras Pela atracção se aproximam Até perder estribeiras Corpos que se agarram Como quem celebra a vida Suspiros que sopram Numa dança atrevida 01-03-2021 João Pires foto: wallpaperflare.com

Sou leão

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Leão-marinho   getty images Sou leão Habito neste mundo Também tenho coração Nado no oceano fundo Sou leão-marinho Habito nos oceanos Tenho olho de adivinho Estou à mercê de toxicómanos O planeta está doente Alterações climáticas Causadas por gente prepotente Tantas medidas antiéticas Sou leão-marinho Sofro do aquecimento global Já me falta comida Sei que um dia será fatal Sou leão-marinho Não encontro cherne nem arenque Para dar às minhas crias Somente no jardim zoológico Onde vivo dentro de um tanque Sou leão-marinho Tenho uma espécie de juba Com o meu rugido grave Não faço eco nem encontro ajuda 27-Fev-2021 João Pires

O PAREDÃO

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O Paredão Dorset, Inglaterra, foto de Ross Hoddinott Quebra as ondas do mar Solta-se a bruma Cheiro de salga no ar Ondas plenas de espuma Estrondo das ondas no paredão Ritmadas pela natureza Num forte encontrão Contra a barreira da dureza Salpicos de mar Chuva salgada Nem penses em caminhar Sobre aquela estrada aberta Se os céus te avisarem Que os mares estão zangados Imagina se causarem Perdas dos empolgados Gostas que molham o rosto de razão Arriscas um pouco mais Para sentires o furacão Maior juízo têm animais Pedra escorregadia Caminho húmido Deslizas os pés com ousadia Sem soltar um gemido 22-02-2021 João Pires

Mãos que emergem das árvores

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Ponte Ponte Dourada, Vietname, Linh Pham Mãos que emergem das árvores Sustentam a vida com leveza No meio de flores Cercada pela natureza Quão frágil a vida será Se apenas uma mão tombar Alma alguma viverá Sem que possa voltar a amar Como seria bom sonhar Contigo naquele caminho Debaixo de qualquer luar Palavras suaves em tom pianinho Montanhas , florestas e rios Vales, céu e nuvens Caminhos em desequilíbrios Cegamente procuro as margens Conduzido por mãos de outras paragens 20-02-2021 João Pires Subscreve para receberes poesia e contos de João Pires * PF preencher Endereço de Correio Electronico *

Quero sorrir ao mundo

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Quero sorrir ao mundo   Neste estando de insanidade   Quando corre o cheiro nauseabundo   Procuro no lixo a verdade     Quero gritar num simples esgar   De uma simples dor   Da janela me quero libertar   Não tenho a quem dar amor     Nesta prisão solitária   Passo os dias a comer   Com vida sedentária   Quero saltar lá para fora e correr     Correr pelos campos fora   Debaixo de chuva forte   Nuvens pesadas e cinzentas   Deambular sem norte     Que adianta o sol brilhar   Se a pandemia não deixa caminhar   Se esta loucura não permite sonhar   Mas eu quero viver, voar e escrever.   12-02-2021   João Pires