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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

poema "Cais" por Joao Pires

Cais


És parte da margem do rio
És parte da margem do mar
És Douro num lindo desafio
Embarque de mercadorias e passageiros


Que de noite vem pela calada
Desembarcam sem se ver
No meio da bicharada
Para se abastecer


Tens água que sobe
Barcos que passam ao largo
E nada te move
Da tua missão sem amargo


És cais que um dia
Acolheste o teu primeiro amor
Com grande acalmia
E sem grande pavor


És ainda lugar nas estações de caminho de ferro
Que espera gente
De todos os destinos
Com o relógio que marca o tempo


Há areia no cais
Perfume de verde-rio
Temperado com sal do mar
Assente em grandes pedras


E tu não chegas nunca mais
Noites tranquilas
Embaladas pela água
E o perfume da maresia


Segredos que me trazes
De noite para o cais
De madrugada
Levas mensagens


De manhã
Passavam os arrais
Montados nos barcos
Sempre confidenciais


Trago segredos
Das quintas do Douro
Entre as margens fluviais
Pelo meio de tantos penedos


Sou cais
Sou porto de abrigo
Esperarei sempre por ti
Sei que um dia vais chegar


Desistirei jamais
De ver-te chegar
Saberei esperar
Nestas pedras desiguais


11-06-2017


João Pires

autor do romance AMAR EM BAGOS DOURO

sábado, 15 de dezembro de 2018

poema "Como eu preciso do Salvador" por Joao Pires

Como eu preciso do Salvador
Pouco experimentei da vida
Que vida esta, sem algum calor
Salvará de forma atrevida

Mas não tenho medo da morte
Escravatura dos tempos modernos
Consumo de plástico sem norte
A fome que grassa pelos povos

O avião em emergência
Aterrou com o Salvador a bordo
Veio salvar o povo dos flagelos

Sem qualquer negligência
E eu finalmente acordo
Esperado desde os tempos antigos

12-11-2018
João Pires

autor do romance AMAR EM BAGOS DOURO