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sábado, 4 de março de 2017

tinta permanente - João Pires - "Reencontro-me no calor do teu abraço"

Reencontro-me no calor do teu abraço


Quero ficar nos teus braços
Ouvir o teu suspiro
Sentir a tua respiração
Beijos de carinho
Abraços de flores vermelhas
Caminhos que se cruzam num abraço
O calor do teu peito num enlace
Dançar ao som da música deslizante
E ver nascer o teu sorriso azul
Voar até ao oceano Atlântico
Subir ao Pico do Mundo
A troco de um amor a florescer
Subir, subir até ao Pico, lá em cima
Céu azul, nuvens de algodão
E o mar a toda a volta
Damos as mãos e celebramos a vida
Reencontro-me no teu abraço
No calor do teu regaço
No coração do teu sorriso
Na magia do teu enlace sentido
E a poesia da vida chega sem avisar
Gosto de apertar o teu regaço contra o meu peito
E sentir o teu coração junto de mim


João Pires

1 Março 2017

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

tinta permanente - João Pires - "Dá-me o teu sorriso"

Dá-me o teu sorriso - poesia

Dá-me o teu sorriso
Ilumino-te o coração
Vestidos de princesa
Mas é o sorriso
A minha perdição
Enche a alma
Dá-me o teu sorriso
E dedico-te a minha poesia
És alegria e simpatia
Mas é o teu sorriso que me enche de emoção
Aqui vai um chi-coração
Estende a tua mão
Quero um abraço
Ofereço-te um beijo no regaço
És alento com o teu sorriso
Alegria com um movimento de lábios
Princesa formosa
És fada da alegria
Abriste o meu coração com um sorriso
Dá-me o teu sorriso
Cantarei para ti
Queres dançar comigo debaixo das estrelas?
És sorriso aberto, olhos redondos
Sabes ser sorriso ousado
As tuas emoções brilham nos olhos
É a tua felicidade que me contagia
A tua boca diz palavras bonitas
Mas o teu sorriso, encanta
Quando sorris, os teus olhos acompanham
Caminha lentamente, se tiver de ser
Mas por favor: não pares.
Conquistas com um simples sorriso
E vens na minha direcção
Abro os braços para ti
Abraço-te até ser dia.
És flor, és perfume.
Pétala a pétala, descubro o teu sorriso
Mulher ancorada
Solto as tuas amarras


Dou-te um sorriso
Devolves um beijo.

14-02-2017

João Pires



terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

tinta permanente - João Pires - "Ilumina-me"

Dá-me a tua mão!
Dou-te a minha mão!
Abraça-me até esborratar o batom
Até desaparecer o vermelho
Se eu conseguir beijar a tua alma
Então meu corpo seguirá o caminho!
Já esqueci as palavras perdidas no nevoeiro
De noite


Ilumina-me
Ilumina-me e abraço-te
Palavras perdidas em estrada de motel
O céu azul começa a despontar
Procurei a felicidade no dinheiro
Procurei a ambição do poder
Procurei emoção no prazer
Não encontrei alegria
Marquei encontro comigo mesmo, mais logo.
Afasto-me da estrada da solidão
Da minha solidão


Ilumina-me
Ilumina-me e eu abraço-te
Num aconchego doce
Beijo-te, já sem o vermelho do batom
Sonho
Caminho no sonho, sem luz

tinta permanente - João Pires - "Ilumina-me"
tinta permanente - João Pires - "Ilumina-me"



Ilumina-me
Vou para o sonho às escuras
Encontro-te por lá. No sonho
Abraço-te e beijas-me com tempo
Abraços e beijos
Danças comigo? Esta noite?
O sonho continua sem parar
Tenho quase a certeza que pertenço ao sonho de onde vim!
O sol já mergulha no mar
Abraça-me e ilumino-te


Iluminas-me com o teu sorriso
Ilumino-te com o meu abraço
Abraços de luz
Beijos, abraços e carinhos
Será sonho?
Dá-me a tua mão!




07-02-2017

João Pires

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

tinta permanente - João Pires - "Abraça-me"

Abraça-me


Vem voar comigo. Amizade sincera de raiz profunda, que nenhuma tempestade te consiga arrancar da terra. Quando irei saber como consolar alguém ou oferecer abrigo? Liberto-me do sofrimento, sem escapar à dor.


Dá-me um abraço.
A melhor pessoa para aliviar as minhas dores, males e angústias, sou eu mesmo.


Dá-me um abraço.
Onde estão os beijos que agora preciso?


tinta permanente - João Pires - "Abraça-me"
tinta permanente - João Pires - "Abraça-me"



Abraça-me.
Olho para o céu azul e vejo o sol brilhante. Não estou lá para voar contigo.
Sei que a Lua brilhará para mim, mas só mais tarde.
Luz morna e brilhante numa tarde fria. Sou rei sol, sou espírito de diversão numa estrada deserta sem fim. O caminho é belo, mesmo assim. Aprecio tudo à minha volta. A natureza está quase despida. Vegetação pardacenta.
Sigo em frente, mas a geografia dos afectos atrapalha-me a viagem.


Abraça-me.
Noite de luzes rolantes, caminhos sem destino. E a Lua lá em cima já brilha. Imaginei ter visto um rosto conhecido. Mas depressa descobri que afinal não eras tu. Desencontros.


Abraça-me, sem fazeres perguntas.
O teu rosto que me iluminou tantas vezes, que me deixou o coração sempre mais feliz deixou agora marcas dentro de mim.
O sol foi desaparecendo suavemente, com a promessa de voltar a amanhã. Chegou o tempo das folhas caídas e do vento frio. Foram-se os dias longos. Tornam-se aborrecidos e efémeros. E tu teimas em não chegar.


Por favor, abraça-me agora.
Passou a reinar a noite escura, dos cobertores e das mantas. Das lareiras e aconchegos. E os sons agudos apitam lá fora, ao longe. Serão vozes humanas a suplicar clemência? Desfilam ainda notas musicais em catadupa desordenada, marteladas num piano qualquer de cauda preta. Mas tu já estás ao meu lado.


Abraça-me aqui e agora.
Como se não houvesse mais estrada para percorrer. Ilumina-me com o brilho dos teus olhos. Procuro guardá-lo dentro de mim. A candura do teu sorriso faz despertar em mim a Primavera dos sentidos. Afinal tu és a minha Lua. Agora já vejo estrelas no céu escuro.


Abraça-me até ser de manhã.


19-01-2017

João Pires

sábado, 7 de janeiro de 2017

tinta permanente - João Pires - "Árvore Desnuda"

Árvore Desnuda

Árvores que correm desnudas pela relva verde dos campos. Erguem os seus braços aos céus, agora sem folhas. Braços molhados pela chuva de Inverno. Exalam o cheiro da chuva debaixo dos seus ramos.De súbito surge o sol tímido na tarde fria. E a paisagem estende-se por vales a perder de vista. Árvores esvaziadas de folhas que já não balançam ao vento. Soltaram-se e voaram. Árvores de corpo nu como um homem sem camisa. Ao frio gélido de Dezembro. Galhos emaranhados e secos de árvores adultas. Ramos mortos. Perigosamente entrelaçados. À espera da poda de Janeiro. Cicatrizes de cortes do ano anterior. O mesmo vento que levou as folhas no Outono passado, alisa agora os cabelos da mulher seminua.
Árvores desnudas pela cidade deserta esperam pela Primavera. Pequenas pedras rolam pela calçada até ao rio, empurradas pelo vento. Pátios desertos que prendem folhas secas aos cantos.

tinta permanente - João Pires - "Árvore Desnuda"
tinta permanente - João Pires - "Árvore Desnuda"


O sol acabado de nascer ilumina em tons índigos, os troncos das árvores. Mas elas lançam os seus galhos esqueléticos ao céu ainda escuro.

Sete ramos desencontrados erguem-se mais alto. De costas voltadas para o tronco principal. São as árvores que contam histórias através das suas folhas que agora não estão lá. São elas que ligam o céu à terra. São elas que estão em oração permanente de braços erguidos ao céu, como quem canta Fado. Sem descanso. Dia e noite. Porque não vais repousar um pouco? Árvores despidas, aparentemente envelhecidas pelo tempo, numa calvície de casca lisa. Com manchas. Todos os anos se libertam das folhas mortas. Tornam-se vazias para renascer. Livram-se do seu significado. Árvores da vida e que dão sombra mas que agora estão nuas, expostas. São o símbolo sagrado da criação, da fecundidade e da imortalidade. Mais tarde, no reflorescimento, as suas folhas voltarão a nascer em direcção ao céu. Quando o Inverno for embora.

7-1-2017

João Pires

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

tinta permanente - João Pires - "Quero voar para 2017"

Quero voar para 2017, agora que ganhei asas. Mover-me no céu azul, observando tudo à minha volta com olhos de cristal. Sobrevôo. Estou a planar e olho lá para baixo. Estradas que parecem linhas de coser. Lagos como pequenos charcos e pessoas como cabeças de alfinete.
Mantenho-me no ar a flutuar, sem pensar em nada mais. O ano está findar. Pairar e sentir o ar puro. Explodir de felicidade por mais um vôo. Abro bem as asas para aproveitar ao máximo o ar rarefeito e encher o peito de céu azul, aplainando o ar.
Todos os dias vôo para aperfeiçoar.
Depois, com grande rapidez, mergulho em vôo picado, como se não houvesse 2017. As minhas penas resistem à velocidade extrema. Talvez se tenha desprendido uma. Vôo como se estivesse a atravessar a barreira que me transportará ao Ano Novo. Dessa forma consigo propagar a minha felicidade, deixando um rasto no ar, uma linha branca, como fazem os aviões quando cruzam os céus.
Elevo-me em pensamentos sublimes. Fecho os olhos, em pleno vôo e respiro fundo.


tinta permanente - João Pires - "Quero voar para 2017"
tinta permanente - João Pires - "Quero voar para 2017"


Desligo-me da realidade. Sinto-me ainda mais leve. Regresso à infância de época feliz onde não era preciso assumir responsabilidades nem viver preocupações. Que bom. Um sorriso, naquela época, valia ouro. Era puro, genuíno!
Depois cruzo uma nuvem perdida e desapareço rapidamente, como num passe de mágica.


Desço à terra. Bebo um pouco de água da fonte. O 2017 está a chegar. Passeio pelas ruas movimentadas da cidade. Vejo rostos com ar apressado. Correm em todos os sentidos. Tento samicar, mas sem sucesso. Movo-me na rua de maneira hesitante, ao lado das pessoas que caminham na mesma direcção, tentando dificultar a sua passagem. Mas não consigo chamar a sua atenção. Ninguém repara em mim. Será que não me vêem?


Ontem sonhei com felicidade. Sorrisos doces. Abraços puros. Talvez para fugir às amarguras do dia a dia.


Mas a noite da passagem de ano está a chegar. Aproxima-se a passos irreversíveis. O caminho é para diante. Não olhes para trás. Olha por onde andas. O dia de ontem já passou. Tenho a estrada pela frente. Uma casa. Uma porta que se abre. Uma lareira, um copo de vinho na mesa.


Quero brindar a 2017. Que venha com energias renovadas. Que me faça sorrir sem limites. Quero dançar na rua até cair o fogo de artifício, até saltar fora de mim, em jeito de êxtase colorido. Sensações intensas. Quero cair no enlevo de 2017. Desejo que esse fogo salpicante se transforme em chuva batizante e me inunde de paz, esperança, felicidade e muito amor.


Na verdade esses sentimentos partem de mim. Vêm de dentro.


2017 está a chegar. A contagem já começou. Preparam-se as garrafas de vinhos comemorativos, contam-se as uvas passas e uns segundos depois, entro no Novo Ano. Tudo volta ao início. Mas… parece tudo igual. Nada mudou!
Decidi que irei ser eu a fazer a mudança. Dentro de mim. Bom 2017.


30-12-2016


João Pires




domingo, 25 de dezembro de 2016

tinta permanente - João Pires - "Menina doce e meiga"

Menina doce e meiga que atravessas a noite de xaile ao peito. Vais a caminho do Natal. Para te sentares à mesa na ceia com os familiares mais próximos. Caminhas à beira do rio e as águas brilham com a luzes laranja que se vão derramando pela noite fora. Levas o bolo para a mesa da consoada. Atravessas ruas e sobes um deserto de escadarias de granito escuro. As sombras da roupa estendida às janelas, projectam figuras estranhas no chão. Luzes que vêm das janelas denunciam gentes que se reencontram. Se abraçam. Se beijam. Trocam presentes ou afectos. Provavelmente já se encontram sentados à mesa. 

tinta permanente - João Pires - "Menina doce e meiga"
tinta permanente - João Pires - "Menina doce e meiga"

E eu subo a rua já deserta, cheia de luzes de Natal e das montras das lojas agora vazias. Anúncios que ficam para trás, que perderam a sua razão de ser. O Natal fechou. O comércio encerrou há algumas horas. 
Lá ao fundo ainda vislumbro, na noite escura, um saco de compras colorido de tons dourados e vermelhos, com um anúncio qualquer que não consigo distinguir, a atravessar, em passo apressado a rua. 
O frio cai. Está na altura de encontrar um abrigo para passar a noite. Uma soleira de porta que me irá abrigar nesta noite de Natal. Só. Quero estar comigo! Viver esta noite com os meus pensamentos. As memórias ficaram lá atrás. Desvaneceram com o passar dos anos. Como aquelas fotos antigas que perderam quase toda a côr e têm um pequeno rasgo no canto, fruto do manuseamento. 
O futuro, nada me diz. Não existe esperança dentro de mim. Procurei, mas não a encontro. 
Agora, nesta noite do Deus menino, é o que importa. É o que conta. Só, nesta cidade iluminada mas fria. Fria de um abraço, de um aperto de mão. Fria de um sorriso.
Não há canto de pássaros. Recolheram com as suas famílias para longe. Para terras quentes, onde abunda sol. As flores fecharam-se nas suas pétalas e reservam-se em sementes para a próxima Primavera. Não há sol nem lua que possa guiar os três Reis Magos.
Aqui estou eu. Só. Olho agora para a palma das minhas mãos. Estão encardidas. Unhas sujas. Enrugadas pelo frio e com cicatrizes. Marcas do tempo. Algumas feridas estão abertas. Custam a fechar por causa do frio. Como no meu coração. O corte profundo na mão esquerda provoca dor constante. Já se tornou quase inconsciente. Está sempre cá dentro e não fecha.
Sento-me na entrada do Centro Comercial que agora está fechado.Estendo uma manta gasta no chão e abro e pouso a embalagem do bolo que me foi oferecido dos restos da confeitaria que agora está fechada.
Abro o pacote de vinho comprado no supermercado à última da hora, com os trocos suplicados à porta das lojas. Bebo o primeiro gole directamente da embalagem. Sinto um calor encher-me por dentro. Será que o Natal já chegou? Não consigo distinguir com nitidez os enfeites de Natal. Arranco um pedaço de bolo, fecho os olhos e agradeço a quem estiver a velar por mim. Momentaneamente reconfortado, encosto a cabeça à parede, embalada pelo álcool. Passa um cão na rua. Volta atrás e olha para mim. Com os seus olhos, implora por um pouco de calor. Aproxima-se e não encontra resistência. Enrosca-se nas minhas pernas. Adormeço, sem voltar a acordar!
João Pires 
25-12-2016