Linguagem corporal das palavras
O calor do abraço enrolado numa frase
Sinais de fumo para comunicar
Palavras arrependidas, inseguras
Palavras inconstantes e sonhadoras
Palavras traidoras, desleais, inconfidentes
Palavras castradas, suprimidas e magoadas
Palavras arrastadas como a última onda
Palavras arrepiadas de um vento cortante
Depois vem a Primavera
Alisas o cabelo e segues em frente
Partilhas o teu pensamento mais puro
Face ao fracasso da humanidade
Regressas à poesia das boas palavras
Palavras alisadas, acariciadas
Palavras embelezadas e retocadas
Palavras sedutoras e sopradas ao ouvido
Palavras ciciadas
Palavras que deslizam na pele
Palavras sussurradas
Palavras num só abraço
Palavras de seda e mel
Palavras sôfregas e desejosas
Ansiosas e ávidas palavras
Palavras transformadas em frases
Numa escrita de espaços brancos
Pontuadas por ideias soltas
Que vieram alimentar a alma
Acariciar em suaves movimentos
Frases de amor numa praia sem vivalma
Banco de jardim onde repousa o poeta
E tu passeias pelo meio da relva
Num tempo perdido sem ampulheta
Numa esquecida e abandonada selva
De animais ferozes e selvagens
Qual alcateia de palavras feridas
Selva das palavras maltratadas
Das incompletas frases
Das famosas frases publicitárias
Para que mais servem as palavras?
Gosto inato pelo pensamento
Coerência e sensibilidade
Viajam dentro do coração
Num ambiente de reciprocidade
A infância está esquecida
O passado não importa
Viver o presente é mais importante
Aquela história é letra morta
Canta um poema para mim
Desfia estrofes sobre a vida
Seduz com as palavras de um pensamento
Numa suave dança atrevida
E a música que se atreve melodiosa
Combinando sons musicais
Numa tarde de Verão graciosa
Sem delírios gramaticais
Se amanhã acordares com novas ideias
Levantas voo bem alto para passear
Pelas nuvens azuis da alameda principal
De voz afinada, voas para cantar
dentro de palavras inteiras
Palavras sem pronúncia
Sem pátria nem dono
Soltas pensamentos ao vento
Escrita corrida e sem sono
Conta-me uma história
Num abraço apertado
De mãos dadas
Numa carícia contida
O dia termina com o pôr-do-sol
Frente ao mar de prata
Feito de palavras doces
Selado com um beijo por lábios sedentos
29-07-2017
João Pires
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| Joao Pires |
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