Ela morava numa curva na estrada nacional, numa barraca velha feita de cartões, no lado oriental da cidade, no lado errado do caminho.
Às vezes, no trajecto para a cidade nós dizíamos:
- Mãe, podemos dar-lhe boleia?
- Mãe, podemos dar-lhe boleia?
Por vezes ao passar por ela, fazíamos com que ela rodasse a sua cabeça de alegria até perceber que o carro tinha parado para lhe dar boleia.
E suas mãos balanceavam com a brisa. Olhos selvagens, verde-esperança, loucos os de Andreia.
Na descida ao longo da estrada, passando à porta do Xico, o velho carro azul que já foi de corrida, cruzou a mercearia da esquina com o letreiro à porta “Vadios longe desta porta”.
Mas o pequeno grupo de maltrapilhos com garrafa na mão ali mesmo à conversa, não sabia ler.
Numa noite de trovoada rachando misericórdia dos céus até à terra, Andreia na sua barraca de cartão, apoiada à janela, sonhava que estava a voar alto, muito acima das árvores, sobre as colinas.
Mas olhou em seu redor e apenas viu paredes forradas com jornais. E os trovões bombavam no céu a toda a força.
Na manhã seguinte quando nos preparávamos para abrandar naquela curva e dar boleia a Andreia, ela não estava lá. Apenas marcas de pneus de automóvel desenhados na estrada em direcção à frágil barraca de cartão.
Parámos o carro e seguimos as marcas de pneu rasgados para fora da estrada, atravessando o campo, em direcção à casa de papelão meio destruída. A casa da Andreia estava mesmo desfeita. Tememos o pior. Podíamos encontrar a Andreia no meio do caminho. Onde ela pára? Ninguém sabe!
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