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domingo, 6 de novembro de 2016

tinta permanente - João Pires - "Silêncio"

tinta permanente - João Pires - "Silêncio"
tinta permanente - João Pires - "Silêncio"
Viver o silêncio dentro da minha alma. Quando escorrega o mutismo das palavras sobre mim. E eu quero respirar profundamente. Em silêncio! Quem sou eu? Quero aprender a conhecer-me. A mapear de cor a alma. Em silêncio. No silêncio da escrita sufocante e atrevida. Cai a noite taciturna, com a bruma a emergir do rio e invadir as margens. Em total silêncio. E eu olho-me ao espelho, fecho os olhos e escuto o sangue a correr nas veias. Em silêncio. Descobri a riqueza que esse momento encerra. Em silêncio. Como posso transportar os segredos em silêncio? As palmas das mãos denunciam suor. O suor do silêncio que me invade os meus pensamentos mais preciosos. Já não sinto arestas na profundeza dos meus sentimentos. Tenho-me amarrado ao silêncio, que me  desafia a viver! A sentir a vida, contemplando-a em silêncio. Esvaziei o coração de ruídos. Preenchi-o com o silêncio mais puro. Melancólico quando cai a noite e o torpor vem resgatar para embalar no sonho. O silêncio também sabe acariciar o peito, livrando-o do aperto. E entra na alma. Carrego o silêncio de ser teu.

João Pires

5-11-2016