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terça-feira, 12 de agosto de 2014

Violetas à beira do rio

À beira do rio nascem violetas ao comprido lá dizia a canção. 

Mas não ali. Ali nasciam detritos e a miséria cobria os homens duma lepra espessa que os deformava.
Enxames de criançada procuravam horizontes e aventura no rio podre, estagnado ao sol, como um bicho morto.
Barcaças negras, dum negro mineral de carvão, mais negro que a faina dos carrejões, suados, arquejantes sob os sacos, oscilavam, molemente ao ritmo, lento, das águas.

Nas escadas as mulheres lavavam e havia estendais de trapos e roupas pobres nas amarras.

Pormenor da Ribeira do Porto
De costas para a margem, viradas para a margem, viradas para a amalgama do casario, telhados tortos cheios de musgo e líquenes, fachadas ocres avinhadas, dum brilho embaciado de azulejos antigos, que o granito dos cunhais sujava e envelhecia ainda, erguiam-se as barracas do mercado.

Ouviam-se as vendedeiras a tentar a freguesia.