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domingo, 23 de outubro de 2016

tinta permanente - João Pires - "Aperta-me até ao fim do horizonte"

Aperta-me até ao fim do horizonte, onde está ancorado o navio da paixão. Lá fora, onde os homens circulam na multidão, mas não te vejo, não te sinto. Apenas ouço acordes do violino. E a chuva cai. As gotas vão escorrendo lentamente. Uma por uma, nas janelas do meu olhar. Pestanejo como quem passa a mão no vidro para ver melhor.

Mas tu não estás lá. Os raios de sol teimaram em não voltar. E eu vou desenhando no vidro embaciado. Escrevendo poesia da vida. O silêncio tomou conta de mim. As notas musicais do piano, tocam baixinho, lá ao fundo, em jeito de suave melodia.

Onde estás? Aperta-te junto a ti. Sei que estás lá em cima, junto das estrelas. Um dia partirei à tua procura. Vais dar-me a tua mão como quando passeavas comigo junto à praia e fazias buracos na areia. E enrolavas uma folha de jornal e acendias a chama. A chama do amor de um pai por um filho. Não me sai do coração essa imagem.

E os navios, lá longe, parecem ancorados no horizonte. Mas não. Vão-se movendo lentamente. E tu não estás lá. Sorris para mim. Como sempre foi.
No fim da vida, acompanhei-te até ao caminho para o céu. A estrela, lá em cima, já brilhava à tua espera.

Despedi-me uma única vez de ti. Não doeu nada. Sei que continuas a brilhar para mim.
Todas as noites venho à janela e procuro por ti! Guardo uma única fotografia, onde o teu sorriso brilha. Brilha tanto como a estrela onde vives.

Dás-me a tua mão? Só mais uma vez. Vá lá. Vamos acender a chama na praia? Só mais uma vez.
Como eu gostaria de voltar a ver o brilho dos teus olhos. E sei que brilhas. És a minha estrela!
Continuo a desenhar no vidro embaciado, enquanto chove lá fora. Mas não te consigo ver.

A desenhar, devagar, um poema!

João Pires
22-10-2016