À beira do rio nascem violetas ao comprido lá dizia a canção.
Mas não ali. Ali nasciam detritos e a miséria cobria os homens duma lepra espessa que os deformava.
Enxames de criançada procuravam horizontes e aventura no rio podre, estagnado ao sol, como um bicho morto.
Barcaças negras, dum negro mineral de carvão, mais negro que a faina dos carrejões, suados, arquejantes sob os sacos, oscilavam, molemente ao ritmo, lento, das águas.
Nas escadas as mulheres lavavam e havia estendais de trapos e roupas pobres nas amarras.
De costas para a margem, viradas para a margem, viradas para a amalgama do casario, telhados tortos cheios de musgo e líquenes, fachadas ocres avinhadas, dum brilho embaciado de azulejos antigos, que o granito dos cunhais sujava e envelhecia ainda, erguiam-se as barracas do mercado.
Ouviam-se as vendedeiras a tentar a freguesia.
