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sábado, 21 de outubro de 2017

tinta permanente - João Pires - "Na rua sentado eu estou"

Na rua sentado eu estou
Vejos passar rostos fechados em passos apressados
Pés que se atropelam e nada querem
Cães que puxam os donos pela trela
Manhã apressada de nevoeiro sem rosto














Sentado eu estou no passeio
Vejo o chão da calçada e os pés de quem passa
Passos de corrida ritmada
Criança de bicicleta empurrada pelo pai
Matilha de cães que querem mais passeio

O final da tarde chega
O sol vem acariciar a minha pele
Esperei por ti e tu não vieste
De repente sinto um impulso
O coração bate mais rápido

Vejo um rosto ao longe
Finalmente chegaste
Vejo um sorriso na minha direcao
um alegre estender de braços

Sinto que alguém se dirige a ti
E se abraça num profundo enlevo
Nao eras tu, nem eu
Eu nao te vi

Quando o sol se despediu de mim
Quando o sol deixou de brilhar
Vejo alguém ao fundo
Quando já todos se tinham retirado
Quando eu me levanto para partir

Passos leves de algodão
Movimentos teus inconfundíveis
Suscitas a vontade de te abraçar
Como eu desejo que aquela silhueta
Sejas tu tornando em realidade o meu sonho

Conquistaste-me com o teu sorriso
Os meus olhos dirigem-se para ti
Finalmente estendes os braços
Dizes-me palavras doces
Abraço-te num profundo beijo


31-08-2017
João Pires


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sábado, 14 de outubro de 2017

tinta permanente - João Pires - "A manhã acordou cedo, sem sono"

A manhã acordou cedo, sem sono

Espreito pela janela e vejo o azul frio da madrugada
Sem nuvens no céu, fecho os olhos e respiro fundo
Vontade de abraçar o cosmos
Caminhada livre à beira da praia
Brisa do mar que me invade o peito
Pele que arrepia ao toque da brisa da manhã
Caminho na areia solta e seca
As mansas ondas da manhã
Vêm beijar-me os pés atlânticos
Embalando os pequenos seixos brilhantes
Pedras molhadas em dia perfeito
Que mais tarde irão brilhar de alegria
Debaixo de sol que agora despontou
O barulho das gaivotas ao longe
Despertam-me para um voo sem distância
As ondas do mar vêm tocar a minha pele
Já habituada ao seu suave enlevo
Olho para a linha do horizonte
Não te vejo, mas sei que estás lá
Meu olhar de turquesa que te procura
E não te sente

A praia cresceu, as crianças brincam na areia
As gaivotas voam bem alto, debaixo do sol
O passeio à beira-mar que agora finda
Em poesia de movimentos
A tarde passa depressa
A noite chega suavemente
Mais um dia que terminou
E a lua cheia vem espreitar
À janela com vaso de alfazema
Sei que estás a olhar para a lua
Vejo agora o teu reflexo
Num ápice de voo rasgado
Em mente desperta
Atinges pedaços de lua
Estendes a mão
E alcanço-te num instante
Num lance de ideia perfeita

Leio o teu pensamento
És sedução, és desejo
Calor crescente
Num abraço de conforto

O futuro está para lá do horizonte
Que agora desapareceu no mar de prata
E a lua brilha inteira
Num convite para jantar
Numa noite perfeita de luar

Uma vela que se derrete e esvanece
Um braço que acontece
Um beijo de carícia que desliza
Pela tua pele de seda
Um sussurro de emoção
De promessas do horizonte
Trago-te a Lua
Desenhas um sorriso
Numa vontade de abraçar
Em perfume de violeta

29-08-2017
João Pires



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